Copersucar-Fittipaldi: Uma escuderia genuinamente brasileira na Fórmula 1

Um breve resumo sobre a passagem da Equipe Fittipaldi na maior categoria do automobilismo, a Fórmula 1.

Quando pensamos em Fórmula 1 no Brasil, um nome está sempre presente em nosso imaginário. Tanto o autor desta matéria quanto você, leitor, imaginamos certo piloto que usava capacete verde-amarelo, não é mesmo? Bem, existe a possibilidade de alguns leitores terem em mente outros pilotos campeões, como Nelson Piquet e Emerson Fittipaldi.

Tudo isso só comprova o tamanho imenso de nossos pilotos na Fórmula 1. No entanto, se engana quem pensa que o nosso país contou apenas com talentos nas pistas da maior categoria automobilística do planeta. No ano de 1975, houve um marco na história do esporte brasileiro. Os irmãos Emerson e Wilsinho Fittipaldi lançaram a primeira — e única até o presente momento em que escrevo – escuderia brasileira da Fórmula 1, a Copersucar-Fittipaldi.

A criação do primeiro carro

Wilson Fittipaldi Jr. sempre sonhou com a criação de uma escuderia brasileira. Seu sonho o levou a criar o modelo FD01 que, em 16 de outubro de 1974, foi demonstrado por Wilsinho em Brasília. Porém, a estreia do promissor carro nacional foi frustrante. Na décima terceira volta, um terminal da suspensão traseira do FD01 quebrou, e fez com que Wilson perdesse o controle do veículo, ocasionando numa batida.

Para piorar, o Copersucar começou pegou fogo após o acidente. Felizmente, Wilsinho não sofreu nenhum ferimento, mas saiu da corrida decepcionado com a exibição. Apesar disso, duas semanas depois, o FD01 renasceu como FD02 — modelo que seria utilizado em GPs da F1.

Negócios de família

Antes da criação da escuderia, o pai da família Fittipaldi, Wilson, não foi nem um pouco amigável. O jornalista ítalo-brasileiro, conhecido como “Barrão”, cortou a ajuda financeira que fornecia para desencorajá-los da ousada — e “rebelde” — ideia de seus filhos. Na época, Emerson Fittipaldi havia sido bicampeão pela fortíssima McLaren, e deixou a escuderia britânica para embarcar no projeto da Copersucar. A atitude de Emerson, apesar de altruísta, pegou o mundo da Fórmula 1 de surpresa.

No filme Rush, vemos em uma das cenas, Emerson Fittipaldi e a Copersucar serem insultados — com palavras que prefiro não mencionar aqui — por um dos chefes da McLaren na contratação de James Hunt. Ainda assim, Emerson abraçou a ideia e passou seus últimos anos cinco anos de F1 na escuderia nacional.

Os resultados da Fittipaldi

Entre 1975 e 1982, a Fittipaldi obteve resultados muito positivos. A equipe não chegou a vencer nenhum Grande Prêmio, mas conquistou três pódios. Sua melhor performance foi no GP do Brasil de 1978, em Jacarepaguá, quando Emerson levou a equipe ao histórico segundo lugar, um feito impressionante para uma escuderia tão jovem.

Copersucar-Fittipaldi em corrida da F1. Foto: Divulgação/FIA

Em 1980, a equipe teve sua melhor temporada na categoria. Foram 11 pontos com dois pódios de Emerson, no Oeste dos EUA, e de Keke Rosenberg (pai de Nico) na Argentina. Com a oitava colocação no Mundial de Construtores, a Copersucar ficou a frente de nada menos do que a Ferrari — que terminou em décimo.

Ao longo de oito temporadas, a equipe disputou 104 GPs e conquistou 44 pontos. Porém, sem vitórias e títulos mundiais, os brasileiros nunca valorizaram seus expressivos resultados. O carro era alvo de constantes gozações, sendo chamado de “açucareiro” pelos críticos. Por conta desses episódios, a Copersucar (empresa de açúcar e etanol) retirou o apoio a equipe, em 1978.

O fim da equipe e o seu legado

Após o triste encerramento das atividades da Escuderia Fittipaldi, em 1982, Emerson e Wilsinho largaram o carro, pois não queriam voltar a mexer nele. A experiência foi traumática para ambos, que tiveram uma dívida de 7 milhões de dólares. “Mas o que mais nos magoou foi o fato de falarem da nossa equipe como um motivo de vergonha porque nunca vencemos uma prova” afirmou Wilson Fittipaldi Jr. ao falar sobre a escuderia.

Contudo, o legado da histórica equipe brasileira foi preservado. Em 10 de novembro de 2004, no Autódromo de Interlagos, o modelo FD01 voltou as pistas totalmente restaurado pela Dana — fabricante de autopeças nacional. Para a restauração, foi realizado um trabalho duro na busca por peças ao redor do mundo. “Tivemos de adaptar algumas coisas, como componentes de segurança que não duram trinta anos, os pneus (um pouco menores que os originais)” explicou Wilsinho.

O filho de Wilsinho, Christian Fittipaldi, prestigiou a volta exibição do lendário carro brasileiro, e correu com o carro no evento, emocionando o seu pai. “Ele está que nem uma criança, como se estivesse me dando um brinquedo novo. Esse brinquedo faz parte da história da vida dele”.

Recadinho do autor

Mesmo sem vitórias na Fórmula 1, a Escuderia Copersucar-Fittipaldi deixou um marco inédito na história do esporte brasileiro, mas não recebeu o seu devido reconhecimento. Finalizo a matéria fazendo para que essa história não caia no ostracismo. É preciso valorizar o nosso esporte, os nossos atletas e os nossos construtores para que um dia possa existir uma nova escuderia brasileira, e que ela possa ser vitoriosa como a própria Fittipaldi — pois a vitória vai muito além de chegar ao topo de um pódio.

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