Afinal, o basquete é mesmo o segundo esporte do brasileiro?

É um consenso afirmar que a grande paixão do brasileiro — depois das novelas, naturalmente — é o futebol. O esporte composto por 22 homens, dois times, dois gols e uma bola se enraizou na cultura do nosso país como uma religião. No entanto, assim como em qualquer outra civilização do planeta, outros esportes também têm sua relevância por aqui.

Em diversas entrevistas, Oscar Schmidt — maior pontuador da história do basquete, considerado o melhor jogador brasileiro de todos os tempos — afirmou que o segundo esporte preferido do brasileiro sempre foi o basquete. Partindo desta afirmação do ex-jogador, e membro do Hall da Fama, o autor que vos fala decidiu relembrar seus tempos de colégio, e resolveu fazer uma “pesquisa de campo” no Twitter com a seguinte pergunta:

“Em sua opinião, após o futebol, qual seria o segundo esporte mais popular no Brasil?”

Foram adicionadas quatro opções de voto, sendo elas: basquete, vôlei, automobilismo e as artes marciais mistas (MMA). Após dois dias e 3.355 votos, o resultado foi favorável ao basquete, com 51% dos votos totais. Na sequência, o Vôlei ficou em segundo com 31,8%, seguido pelo automobilismo (10,5%) e MMA (6,7%).

Foto: Pesquisa feita pelo Twitter

Entretanto, se engana quem pensa que esse tenha sido o resultado final deste “experimento”. A enquete em questão foi realizada em uma conta focada na NBA — a maior liga de basquete do mundo —, gerando um resultado bem previsível. Contudo, os comentários da postagem foram completamente diferentes dos números finais, algo que me surpreendeu.

Embora os números tenham indicado uma larga vantagem ao basquetebol, a maioria das respostas recebidas apontaram o vôlei, e o automobilismo, como os esportes mais populares atrás do futebol. Diversas justificativas interessantíssimas foram feitas, das quais este texto vai aprofundar nos próximos parágrafos.

Transmissões televisivas em rede nacional

Foto: Divulgação/Rede Globo

Evidentemente, num país que sofre com uma das maiores desigualdade sociais do mundo, é um fato afirmar que a maioria dos lares não possuí televisão por assinatura. Desta forma, é fundamental para a divulgação de um esporte ter transmissões em rede nacional, nos canais de TV aberta.

Na Rede Globo, a maior emissora da América Latina e uma das maiores do planeta, o futebol sempre foi considerado um sucesso de audiência. Esse impacto foi de extrema importância para a consolidação de sua popularidade no imaginário coletivo brasileiro, algo que ocorre desde os tempos dourados do rádio até os dias atuais — com a internet e os serviços de streaming.

No caso da Formula 1, mesmo sem nenhum piloto brasileiro no grid, a modalidade seguiu tendo destaque na grade da Rede Globo por anos, até o contrato chegar ao fim em 2021. O sucesso comercial, que vem desde os tempos de Ayrton Senna, sempre trouxe bons números de audiência ao longo dos domingos.

Ocasionalmente, o vôlei também têm o seu espaço na grade televisiva com os torneios internacionais, que contam com a participação das seleções feminina e masculina do Brasil, normalmente durante as tardes.

Além disso, o MMA têm o seu espaço nas madrugadas de sábado da Globo com o UFC — organização mais importante do esporte — em eventos de grande relevância, apesar de não serem transmitidos ao vivo pela emissora. O basquete, na contramão dos outros esportes, fica restrito à transmissões pela TV a cabo, pelas redes sociais e, atualmente, pela TV Cultura.

A importância de ídolos e ligas estruturadas

Foto: Divulgação

Outro importante fator para a popularização de um esporte está em seus ídolos. É “chover no molhado” explicar a importância que figuras como Ayrton Senna, Giba e Anderson Silva tiveram para seus respectivos esportes. Acompanhar as conquistas, e superações, de cada um destes atletas cativou o público a adquirir amor, não apenas por suas figuras, mas também pelo esporte de um modo geral.

O basquete, por sua vez, também teve grandes ídolos, como Oscar Schmidt, Hortência, Magic Paula, Janeth, Marcel e tantos outros. Porém, seus nomes não têm o mesmo apelo midiático de outros atletas. Um dos fatores que pode explicar esse “esquecimento” pode ser explicado pelo palco em que atuaram ao longo de suas carreiras.

Antes da criação do Novo Basquete Brasil (NBB), a CBB nunca se preocupou em criar uma liga nacional à altura do nosso basquete, que é tricampeão mundial (contando o masculino e feminino). Dessa maneira, diversos jogadores optaram por jogar na Europa, longe do radar do público brasileiro, que só podiam acompanhá-los com a camisa da seleção.

Essa falta de estrutura custou caro para a evolução do basquete nacional, que viu o vôlei indo na contramão, com o sucesso da Superliga — tanto a feminina, quanto a masculina. Espera-se que o NBB possa crescer cada vez mais para se tornar uma liga de sucesso absoluto em estrutura e visibilidade comercial.

As conquistas e o incentivo à prática esportiva

Foto: Divulgação/CBV

Além de todos os pontos já citados, o mais importante talvez seja as conquistas esportivas. Dentre os comentários do Twitter, uma famoso bordão veio à tona: “O esporte favorito do brasileiro é aquele que está ganhando”. Esta afirmação, embora triste, é bem verdadeira quando olhamos para o nosso passado.

Enquanto o Guga esteve no auge, o tênis se tornou uma “febre” entre os brasileiros. Inúmeras crianças começaram a praticar, os jogos passaram a ser televisionados e as conquistas do tenista catarinense impulsionaram o esporte a um status jamais visto no país. Contudo, o iminente prazo de validade do tênis, pós-aposentadoria de Guga, fatalmente chegou e o esporte caiu no ostracismo para o grande público.

No caso do basquete, embora o Pan-Americano de 87 tenha marcado para uma geração, os títulos mundiais (1959 e 1963) nunca mais se repetiram. No basquete feminino, o título mundial veio em 1994, porém a tão sonhada medalha de ouro olímpica não aterrissou em solo brasileiro, ao contrário do vôlei, que transformou-se numa potência olímpica na mesma época.

Quando falamos em prática esportiva, o basquete sempre teve que lutar pelo seu espaço em quadras poliesportivas — que priorizavam sempre priorizaram o futsal. No entanto, com a ascensão da NBA no Brasil, especialmente nas redes sociais, muitos jovens estão criando gosto pela bola laranja, graças a globalização da liga norte-americana.

E aí, qual é o segundo esporte do país?

Analisando todos os pontos abordados acima, fica claro que o vôlei continua sendo o segundo esporte mais popular do brasileiro. Todavia, o nosso tão amado basquetebol está crescendo a cada dia, e em tempos de crise e pandemia, ele terá que contar com a ajuda de todos os fãs.

Em suma, encerro este texto fazendo um apelo para você, leitor, que tem paixão pelo basquete. Assista-o e, se possível, convide amigos à conhecê-lo, incentive as ligas nacionais, siga o NBB e a LBF nas redes sociais e, caso tenha plenas condições, ajude o seu time do coração consumindo os seus produtos.

Foi desta forma que o futebol se tornou o que é hoje, da mesma forma que o vôlei expandiu. Então por que não o basquete?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: