Carreira esquecida e desavenças com nazistas e comunistas; conheça Josef Bican, um dos maiores artilheiros de todos os tempos

Listas de maiores artilheiros de todos os tempos sempre trazem polêmicas e poucos consensos sobre quantos gols cada jogador possui. Recentemente, Cristiano Ronaldo foi noticiado por grandes jornais do planeta como o novo maior de todos na categoria, e novamente a pauta foi a várias mesas redondas no mundo todo. E sinceramente, nunca saberemos quem é o líder da artilharia, ainda mais por tantos ícones do futebol estarem envolvidos na corrida por esse título.

Além do CR7, nomes de lendas como Pelé, Romário, Gerd Müller, Ferenc Puskás e Eusébio sempre vão aparecer nesses rankings. No entanto, o nome de Josef Bican também sempre está presente nessas listas, mas ninguém valoriza o jogador como os demais atletas citados. E para explicar o porquê disso acontecer, irei contar toda a trajetória dessa lenda do esporte, seja dentro ou fora dos campos. Vem comigo!

Carreira

Josef ‘Pepi’ Bican nasceu em 25 de Setembro de 1913, em Viena, capital da Áustria. Seu primeiro contato com o futebol profissional veio em 1925, quando ingressou as categorias de base do Hertha Vienna, localizado na cidade em que nasceu. Ficou por lá por seis anos até assinar com o Rapid Vienna, com direito a hat-trick contra o arquirrival Austria Vienna logo em sua estreia pelo Rapid.

Sua velocidade fora de série — que chegou a atingir 100m em 10.8s, algo absurdo para um jogador de futebol da década de 30 — e sua facilidade em finalizar com as duas pernas fizeram com que o austríaco rapidamente fosse para a seleção nacional, conhecida à época como Wunderteam — time maravilha, em português. Pepi não só fez parte do time, como também foi um dos principais jogadores daquela equipe que chegou à semifinal da Copa do Mundo de 1934.

Em 1935, Bican foi ao Admira Vienna, e por lá ganhou dois Campeonatos Austríacos em seus dois anos de clube. Em seguida, foi contratado pelo clube em que ficou o maior tempo de sua carreira: o Slavia Praga, da até então Tchecoslováquia. Por lá, ficou por 16 anos e teve oito conquistas nacionais e uma internacional, além de ser o maior artilheiro do país por 12 vezes e o maior artilheiro da Europa por cinco anos consecutivos.

Foi no Slavia Praga que Pepi teve o auge de sua grandiosa carreira.

Fim do Wunderteam

No entanto, nem tudo na carreira de Josef foram flores. Em meio ao período de estadia em Praga, a Alemanha Nazista de Adolf Hitler invadiu a Áustria e anexou o país ao território alemão. Com isso, o Wunderteam chegou a seu fim, já que os jogadores se recusaram a fazer parte do time alemão.

Josef Bican seguiu o mesmo rumo dos atletas e não se juntou ao time da Alemanha Nazista. Assim, aproveitando que estava jogando em Praga, pediu ao governo local que dessem a nacionalidade tchecoslovaca a ele, o que lhe foi concedida.

Problemas com os Comunistas

Em 1948, o Partido Comunista assumiu o poder da Tchecoslováquia, e para azar de Pepi, os comunistas não gostavam do Slavia Praga por ser considerado o “time da burguesia”. Os mandatários ainda recomendaram que Bican se filiasse ao partido, mas o jogador se recusou. E desde então, fizeram de tudo para atrapalhar a carreira de Josef e manchar seu legado.

Josef Bican foi obrigado a deixar o Slavia, que havia sido renomeado para Dynamo Praga pelos governantes, imediatamente. Por conta disso, teve que jogar nos pequenos Banik Ostrava e Hradec Králové até 1952, período em que foi negado a voltar a jogar pelo Dynamo.

Depois desse período, até conseguiu regressar ao clube em que é ídolo, mas a fama de ‘desafeto da revolução’ contribuiu para que Josef fosse desvalorizado no país. Assim, em 1955, Bican se aposentou dos gramados.

Legado

Após sua aposentadoria, o nome de Josef Bican permaneceu rejeitado pelos mesmos motivos por um longo tempo. Isso contribuiu para que seus grandes feitos fossem caindo no esquecimento do cidadão da Tchecoslováquia.

A história só mudou em 1989 com a Revolução de Veludom, que derrubou o regime no país. Só a partir dali, Pepi poderia ter seus feitos enfim valorizados na história. No entanto, é impossível que, depois de quase 50 anos de esquecimento, a carreira do jogador seja completamente lembrada da devida forma.

Revolução de Veludom, em 1989.

Josef Bican faleceu em 12 de dezembro de 2001, aos 88 anos. Um jogador brilhante e com uma carreira tão brilhante quanto, mas que teve sua história perdida ao longo do tempo.

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