A trajetória de Dirk Nowitzki, o maior europeu da história da NBA

Dirk Nowitzki é, sem dúvidas, o maior europeu a jogar na liga. Sua carreira é marcada pelo lendário título em cima do Big Three de Miami, em que muitos dizem ser a última vez em que um time foi campeão com apenas uma estrela e boas peças complementares. Dirk jogou um basquete fenomenal naqueles playoffs, porém nem tudo são flores em sua carreira.

Ele descobriu o basquete somente aos 15 anos, apesar de ter uma família bastante envolvida com esportes. Só começou a jogar no DJK Würzburg devido a sua altura, o que acabou atraindo o interesse do técnico da seleção alemã de basquete Holger Geschwindner.

Holger se ofereceu para treiná-lo três vezes por semana num treino fora dos padrões, que priorizavam o arremesso e o passe em vez de treinos táticos e de levantamento de peso, por achar que era um stress desnecessário para a idade do jogador. Além disso, ele recomendava livros e o incentivava a aprender a tocar algum instrumento para que ele crescesse também como pessoa.

Mais tarde, Dirk viria a treinar todos os dias contra o time do DJK e futuros jogadores da seleção alemã para se preparar para jogar contra os melhores do mundo. Ele sofreu bastante na primeira temporada e não seria titular até a segunda, quando se estabeleceu como um dos maiores talentos alemães dos últimos 15 anos.

Na terceira temporada, Nowitzki se tornou um dos principais jogadores do time, fazendo cerca de 19.5 pontos por jogo. Na quarta, teve que ir cumprir o alistamento obrigatório, onde sofreu bastante com os exercícios e com a rotina do exército. Aos 19 anos, ele estava com mais de 130kg, fazia 28.2 pontos por jogo e conseguiu levar DJK à primeira divisão do campeonato, depois de anos batendo na trave. Por isso, Dirk foi eleito o Basquetebolista Alemão do Ano.

Dirk Nowitzki em ação pelo DJK Würzburg.
Foto: Reprodução da Internet

Isso fez com que Dirk Nowitzki chamasse atenção de equipes como o Barcelona, mas se recusou a sair até terminar seus estudos. Ele participaria de um evento da Nike Hoop Heroes Tour um ano depois, onde jogou contra Charles Barkley e Scottie Pippen. Dirk levou a melhor contra Barkley, chegando até a enterrar em cima do mesmo, que depois do jogo disse: “O garoto é um gênio! Se ele quiser entrar na NBA, ele pode me ligar”.

Ele jogaria depois em outro evento, o Nike Hoop Summit, que reunia os futuros talentos do basquete nos EUA. Em uma partida entre o Time EUA e o Time Internacional, Dirk fez 33 pontos com 6-12 FG, 14 Rebotes e 3 roubos de bola, superando futuras estrelas americanas como Rashard Lewis e Al Harrington. Ele impressionou a todos com sua velocidade, ball handling e arremesso consistente, e a partir daí, muitas franquias da NBA começaram a ter interesse.

Ele passaria várias ofertas do College para ir diretamente à NBA, onde seria escolhido pelo Milwaukee Bucks na 9ª escolha, mas em seguida fora trocado para o Dallas Mavericks. O começo em Dallas já seria cercado por polêmicas, pois em sua primeira temporada, os jogadores entraram em greve por conta da estipulação de um limite de salário para os atletas. Nesse período, sem ter onde jogar, Dirk voltaria ao DJK Würzburg, onde disputou 13 jogos.

Quando a temporada finalmente começou, Nowitzki sofreu para se adaptar. A mudança para a posição de ala-pivô — jogava de ala na Alemanha — fez com que ele se sentisse muito pressionado pelos forwards mais atléticos da NBA. Com isso, a falta de defesa somada aos fracos 8.2 pontos e 3.2 rebotes por jogo fizeram com que a pressão por ser uma pick alta de Draft aumentasse cada vez mais.

O alemão ganhou apelidos como ‘Irk Nowitzki’ na época, pois o D no basquete significa defesa. Dirk disse em uma entrevista sobre essa fase da sua carreira: “Na época eu estava tão frustado que cogitei voltar para a Alemanha. O pulo da segunda divisão alemã para a NBA foi tão grande que era como pular de paraquedas de um avião e torcer pro paraquedas abrir de algum jeito”. O Mavericks ganharia apenas 19 dos 50 jogos na temporada.

Foto: The Smoking Cuban

Em sua segunda temporada, o time foi comprado por Mark Cuban, que melhorou a infraestrutura e deu todo o suporte para o time, ao contrário do antigo dono. Isso parece ter impactado o ala-pivô, que passou a ter médias de 17.5 pontos, 6.5 rebotes e 2.5 assistências, além de igualar seu career-high de 32 pontos duas vezes na temporada.

Ele ganharia o Most Improved Player Award (prêmio de jogador que mais evoluiu) e seria escolhido para o jogo dos novatos, ao lado de Chris Paul e Vince Carter, e para o torneio de três pontos, sendo o jogador mais alto a ser escolhido até então para competir no torneio até hoje. Ele ficou em segundo lugar, perdendo na fase final para Jeff Hornacek.

A partir daí, o resto é história. Dirk ficaria por mais 19 temporadas na NBA, acumulando quase 32 mil pontos em pouco mais de 1500 jogos, 1 título, 1 MVP, 1 MVP das Finais, 14 indicações para o All-Star Game e 12 aparições no time ideal da temporada. Acho que todas essas conquistas são o suficiente para torná-lo o maior europeu da história da NBA e um dos maiores ala-pivôs de todos os tempos.

Foto: Dallas Morning News

Porém, se mesmo naquela época — em que não existiam as redes sociais da forma que são hoje — a pressão em cima dele já era absurda por chegar na NBA sendo comparado a Larry Bird, imagine a mente das jovens promessas de hoje. Devemos lembrar que por trás de todo jogador, há um ser humano que luta para dar o seu melhor em quadra e perseverar na dura jornada da NBA.

Leia também: Rookies: Quando a pressão ultrapassa o limite da toxicidade na NBA

Portanto, acho que tudo isso serve para cada um de nós refletirmos sobre o peso que devemos dar a uma crítica a determinado atleta. Ao fazer isso, diminuímos cada vez mais as chances de perdermos novos Dirks no futuro.

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