É o fim do futebol europeu? Entenda a “absurda” European Super League

O dia 18 de abril de 2021 definitivamente entrou para a história do futebol mundial, mas não por um bom motivo. Neste domingo (18), doze dos maiores clubes do futebol europeu anunciaram a criação da “European Super League”, um novo torneio bilionário, sem sistema de rebaixamento e sem o aval da UEFA.

A competição será presidida por Florentino Pérez, presidente do Real Madrid, e contará com 20 clubes (sendo 15 membros fixos). Entre as equipes já confirmadas estão: Barcelona, Atlético de Madrid, Liverpool, Chelsea, Manchester United, Manchester City, Arsenal, Tottenham, Milan, Juventus, Inter de Milão e o próprio Real Madrid.

Cada grupo contará com 10 equipes, jogos de ida e volta e os três primeiros colocados avançam para o mata-mata. As últimas vagas serão definidas em um playoff adicional entre quarto e quinto colocados. Há também um desejo dos organizadores na criação de um torneio feminino.

Paris Saint-Germain, Borussia Dortmund e Bayern de Munique foram convidados, mas declinaram — até o momento. As equipes participantes da Super League receberão o valor de 425 milhões de dólares (355 milhões de euros), segundo informações do The New York Times.

No entanto, a Associação Europeia de Clubes, juntamente com a UEFA e a FIFA, se opôs à idealização do torneio. Sem surpresas, as represálias vieram. A entidade europeia de futebol prometeu banir todas as equipes envolvidas das competições nacionais, continentais e internacionais.

Em outras palavras, equipes como Manchester City, Barcelona e Milan estariam banidos de competições como a Liga dos Campeões e a Liga Europa. Além disso, os atletas que atuarem na Super League não poderiam disputar partidas oficiais com suas seleções. Jogadores como Lionel Messi, Kevin De Bruyne e Cristiano Ronaldo podem ficar de fora da Copa do Mundo no Catar.

R.I.P. Futebol Europeu?

Sem 20 dos maiores times, não apenas do continente, mas do futebol mundial, a perspectiva para as ligas domésticas é a mais pessimista possível. Além da queda no ponto de vista técnico, os jogos naturalmente perderão audiência, anunciantes e cota televisiva. O interesse pelo futebol se limitará a uma única competição — a própria Super League — que terá as melhores grifes e os melhores atletas.

Rivalidades centenárias e competições tradicionalíssimas do futebol serão deixadas de lado. Uma das melhores criações do homem está prestes a dar um passo definitivo rumo à elitização do esporte. Equipes de menor expressão, menor investimento e infraestrutura não terão sequer a chance de enfrentar os “Deuses do Olimpo”.

Encerro esta matéria com as palavras de Gary Neville, lenda do Manchester United, que demonstrou sua revolta com a competição e definiu o sentimento de quem ama o futebol em sua essência — a simplicidade do jogo acima de seu lucro.

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