Análise: A evolução de Jayson Tatum na temporada 2020/21

É muito fácil se apaixonar por Jayson Tatum, e não digo isso só por ser o meu atleta favorito, mas pela sua capacidade de pontuar em qualquer lugar da quadra mesmo sendo tão jovem. Além disso, é prazeroso ver a sua evolução ano a ano, pois o teto do ala do Boston Celtics é tão grande que se torna difícil prever como será exatamente seu estilo de jogo quando chegar ao seu auge na NBA.

Outra razão para isso é o rápido desenvolvimento de Jayson, que justamente pelo seu enorme teto, consegue melhorar vários aspectos de seu jogo em poucos meses de treinamento. Para comprovar este fato, recomendo a leitura do texto que fiz ao saudoso Celtics Brasil, que analisa o salto de produção do Tatum na temporada anterior, para tornar as comparações em relação ao ano de 2020 ainda mais claras.

Com isso, irei iniciar a minha análise, baseada no meu ponto de vista e nas sugestões de alguns seguidores do Twitter. Boa leitura!


Criação do arremesso

Uma das grandes críticas ao estilo de jogo de Jayson Tatum — que ainda perdura, mas de forma reduzida — era a emulação do jogo de seu ídolo, Kobe Bryant, que visava um grande volume de arremessos longos. O problema é que Tatum utilizava tal técnica de forma ineficiente, e portanto, teve que moldar a tomada de decisões no ataque para se tornar mais perigoso no ataque.

O grande destaque vai para a maior busca pela infiltração. Não fazia sentido se apropriar apenas das bolas de três, considerando que o celta sempre foi muito bom partindo para dentro. Assim, a partir do mês de abril, Jayson passou a infiltrar mais, e como consequência, teve mais de 80% de aproveitamento em tentativas na zona pintada, além de bater dois lances livres a mais por jogo neste mês (7.3) em relação à temporada toda (5.3).

Tatum também passou a executar jumpshots mais seguros. Ele tem voltado a arremessar mais do mid-range, sua marca registrada nos tempos de College, e mesmo possuindo um aproveitamento a ser melhorado no futuro (41,4%), já superou a marca no setor do ano passado (38,3%). Além disso, voltar a chutar dali amplia a área que JT usa para arremessar na quadra, o que é mais uma dor de cabeça para os defensores.

Fora isso, seu famoso side-step jumper tem se tornado o tipo de arremesso mais seguro do jogador quando o tempo para definir uma jogada está acabando. Como Jay voltou a usar o mid-range, o side-step também tem sido bem aproveitado por ali. Um exemplo foi no último lance do primeiro tempo do último jogo contra o Golden State Warriors, em que ele acabaria com 44 pontos:


Passe

Tatum não é — e possivelmente nunca será — um exímio playmaker. No entanto, melhorou muito em alguns aspectos de seu passe, e como resultado, aumentou seu número de assistências por jogo em quase 50% (3.0 para 4.4) se comparado ao ano passado. E isso se deve a coisas bem simples.

Jay teve seu career-high de assistências (12) contra o Detroit Pistons. A seguir, mostrarei um vídeo deste jogo e comentarei sobre como ele distribuiu alguns desses passes:

Nas três primeiras jogadas do vídeo, podemos perceber que JT se aproveita das screens recebidas para optar pela jogada simples, que é passar para o companheiro, que livre, conclui a jogada. Já nos minutos 1:22 e 4:01, percebemos que ele infiltra e consegue fazer o passe para o pivô, que finaliza o ataque facilmente.

Assistências simples, como as cinco citadas, são cada vez mais frequentes no jogo do ala, o que indica que há maior atenção por parte dele com a movimentação dos jogadores e, portanto, sua visão de jogo se aprimora cada vez mais. Quando assistimos uma partida de basquete, construções de ataques simples como essas passam despercebidos, e por isso não notamos o real motivo do aumento da estatística de um jogador.


Desempenho nos momentos decisivos

A eliminação na final da Conferência Leste contra o Miami Heat escancarou a afobação do ataque do Celtics durante os últimos quartos de partida. Portanto, era natural que um dos principais trabalhos de Jayson Tatum fosse a melhoria de desempenho no clutch time.

E para isso, Tatum se apropriou de cada aspecto citado neste texto para torná-lo mais eficiente e mais difícil de ser marcado. Procura bolas mais seguras para pontuar mais, busca o contato na infiltração para conseguir ao menos os lances livres, aumenta a área de arremesso ao também arremessar no mid-range e também tenta o passe simples se possível.

Como resultado, ele já possui três game-winners na temporada regular, além de incontáveis jogadas decisivas nos últimos minutos de jogo. Isso é bem diferente do Tatum de 2019/20, que buscava uma jogada heroica no último lance, com mínimas chances de sucesso.

A thread abaixo explica melhor a diferença de tomada de decisão de uma temporada pra outra:


E com todos esses aspectos, Jayson Christopher Tatum acumula as melhores médias de sua carreira em diversos aspectos de seu jogo. Possui um volume de jogo cada vez maior, mas mesmo assim manteve sua eficiência. É mais decisivo. Recebeu três nomeações de melhor jogador da semana e garantiu a vaga de titular no All-Star Game. Fez partidas de 44, 53 e 60 pontos.

Por essas e outras, aos 23 anos de vida, já é uma das superestrelas da liga. É o futuro e o presente da liga, e será um prazer acompanhar toda essa jornada de perto.

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