A história do Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno (até aqui) 

Relembre as participações do Brasil nas edições das Olímpiadas de Inverno 

Nas últimas décadas nos acostumamos a ver o Brasil conquistando medalhas e se tornando cada vez mais competitivo nos Jogos Olímpicos — de Verão. Essa tradição vem sendo construída desde os Jogos de 1920. Todavia, as Olímpiadas não se resumem apenas as competições “de verão”. 

Em 1924 foram criados os Jogos Olímpicos de Inverno, para esportes disputados no gelo e neve. Evidentemente, países de clima desértico, semiárido, desértico, equatorial e tropical – como é o caso do Brasil –, não possuem tanta tradição nesse tipo de modalidade.  

Porém, se engana quem pensa que essa barreira geográfica impediu os atletas brasileiros de desbravarem o “desconhecido”. Desde 1992, o Brasil participou de todas as edições das Olímpiadas de Inverno, e relembraremos as participações a seguir. 

1992: O início em Albertville 

O esqui brasileiro marcou presença em 1992. Foto: Reprodução da Internet

O Brasil ingressou nos Jogos em Albertville, na França. A delegação brasileira chegou em bom número para um país sul-americano estreante, com 7 atletas. Os Jogos de Albertville também marcaram um fato inédito na televisão brasileira. Foi a primeira vez que uma edição das Olímpiadas de Inverno foi transmitida no país, na época pela TV Manchete

Curiosamente, todos os atletas eram do esqui alpino. Evelyn Schuler foi a única mulher na delegação. A brasileira disputou duas provas, atingindo a 40ª posição no slalom gigante feminino — entre 44 competidoras —, e o 46º lugar no super-G feminino

O melhor resultado da delegação foi para Christian Lothar Munder que, com o tempo de 2m07s34 ficou em 41º no downhill masculino. É válido lembrar que o COI (Comitê Olímpico Internacional) financiou parcialmente os atletas da delegação. 

No mesmo ano ocorreram os Jogos de Verão em Barcelona e os atletas de inverno precisaram arcar com o restante das despensas do próprio bolso. 

1994 e 1998: Anos solitários para o esqui brasileiro  

O futuro corredor Marcelo Apovian, em 1998. Foto: Reprodução da Internet

Nas duas edições seguintes, o país teve apenas um único atleta representante. Em 1994, nos Jogos de Lillehammer, na Noruega, Munder retornou para a sua segunda aparição olímpica, novamente no downhill. Embora tenha diminuído o seu tempo para 1m56s48, o brasileiro ficou em 50º — a pior marca entre os esquiadores que concluíram a prova.

Já em 1998, em Nagano (Japão), o jovem de 25 anos, Marcelo Apovian, também voltou para a sua segunda participação. No super-G masculino, Apovian terminou com a 37ª colocação, novamente a pior marca entre os classificados.  

2002: Brasil Abaixo de Zero

Assim como a Jamaica, o Brasil também tem o seu time de bobsled. Foto: Reprodução da Internet

Em Salt Lake City, nos Estados Unidos, a delegação brasileira aumentou significativamente. Com 10 atletas (oito homens e duas mulheres), o país esteve presente no esqui alpino, esqui cross country, luge e o bobsled

A estreia do bobsled brasileiro contou com Eric Leme Maleson, Matheus Inocêncio, Edson Bindilatti e Cristiano Rogério Paes. O quarteto realizou quatro descidas e garantiu a 27ª colocação com 3m16s73, sendo a melhor marca brasileira na edição. 

2006: Isabel Clark faz história no snowboard 

Isabel Clark após fazer história na Itália. Foto: Reprodução da Internet

Os Jogos de 2006 em Turim (Itália) contou com 9 participantes em 4 modalidades (bobsled, esqui alpino, esqui cross country e snowboard). Apesar da queda de atletas em comparação com Salt Lake, as Olímpiadas de Turim foi de fato histórica para o esporte. 

A snowboarder Isabel Clark Ribeiro foi o grande destaque. Na disputa do snowboard cross, a atleta conseguiu a sexta colocação na disputa classificatória. Nas quartas de final, Isabel ficou a uma posição de se classificar para as semifinais, e terminou a série em terceiro.  

Uma nova bateria foi realizada para decidir as posições entre nove e doze. Isabel não largou bem, mas após um acidente envolvendo as outras três participantes, a brasileira venceu a prova e conquistou o 9º lugar — a melhor marca de um atleta sul-americano nos Jogos de Inverno. 

2010 e 2014: Altos e baixos para o Brasil 

A maior delegação que o Brasil já teve posando para a foto, em 2014. Foto: Reprodução da Internet

Em 2010, o COI enviou apenas 5 atletas para Vancouver (Canadá). Antes da realização dos Jogos, a Confederação Brasileira de Desportos de Neve (CBDN) tentou incluir o que seria a primeira equipe de bobsled feminina do país e alegou que a vaga da Irlanda foi obtida por um erro de cálculo no ranking. Porém, o recurso da entidade foi negado pela Corte Arbitral do Esporte (CAS). 

Na edição, o slalom gigante trouxe as melhores marcas, com Maya Harrisson no feminino (48º) e Jhonatan Longi no masculino (56º). Isabel foi a porta-bandeira da delegação, mas acabou sendo desclassificada no snowboard na fase preliminar. 

Já em 2014, Sochi (Rússia) recebeu o maior número de brasileiros numa edição de Inverno. Foram 13 atletas em 7 modalidades diferentes, um recorde absoluto e histórico para um país latino-americano.

O Brasil esteve presente nos seguintes esportes:

  • Biatlo feminino (Jaqueline Mourão),  
  • Bobsled feminino de duplas (Fabiana dos Santos e Sally da Silva) 
  • Bobsled masculino por equipes (Edson Bindilatti, Fábio Gonçalves, Edson Martins e Odirlei Pessoni) 
  • Esqui alpino feminino (Harisson) e masculino (Longi) 
  • Esqui cross country feminino (dobradinha da Jaqueline) e masculino (Leandro Ribela) 
  • Esqui estilo livre feminino (Josi Santos) 
  • Snowboard (Isabel Clark)  
  • Patinação artística (Isadora Williams) 

Destaque para as estreias do almejado bobsled feminino com a dupla Fabiana e Sally, e também a para a patinadora Isadora Williams

2018: Isadora Williams brilha no gelo

Isadora Williams fazendo bonito no gelo. Foto: Reprodução da Internet

A participação mais recente do Brasil foi em PyeongChang, na Coréia do Sul. Na oitava participação consecutiva do país nos Jogos, o Brasil levou 9 atletas em 5 modalidades (bobsled, esqui alpino, esqui cross country, patinação artística e snowboard. O grande destaque veio na patinação. 

Após sua estreia em Sochi, Isadora Williams se dedicou para chegar bem na Coréia. A brasileira de dupla cidadania — filha de mãe brasileira e pai estadunidense —, Isadora conseguiu se classificar para a bateria final, feito inédito para o esporte sul-americano. Na disputa final, a patinadora fechou a competição em 24º. 

2022: Quais as expectativas para Pequim? 

A recordista olímpica Jaqueline Mourão estará em Pequim. Foto: Reprodução da Internet

Os Jogos Olímpicos de Pequim começam no dia 4 de fevereiro. Para a edição, a delegação brasileira confirmou 11 atletas. No entanto, ainda há a possibilidade de mais dois atletas integrarem o time, caso ocorra uma realocação de vagas de outros países.

Até o momento, o Brasil estará presente nos seguintes esportes: bobsled, esqui cross country, esqui estilo livre, esqui alpino e skeleton. Entre os atletas, Jaqueline Mourão está de volta para disputar a sua 8ª Olimpíada. 

A ‘superatleta’ de 46 anos, que também disputou os Jogos de Verão, agora é isolada a atleta brasileira com mais edições em Jogos Olímpicos, superando Formiga, Robert Scheidt e Rodrigo Pessoa. Em Pequim, Jaqueline estará na disputa do esqui cross country. 

A equipe que irá para a China promete ser a mais forte do Brasil. Porém, a tão sonhada medalha ainda parece um sonho bem distante contra países de clima frio. Por outro lado, é notável a evolução dos atletas e das campanhas do Brasil ao longo dos anos. 

Quem sabe, nas próximas edições, um sul-americano coloque os europeus ‘numa fria’? Só nos resta acompanhar no conforto do nosso clima tropical — que por sinal, é bem mais ‘quentinho’.  


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