PHF: A história da principal liga de hóquei feminino

Estou de regresso, esta semana para falar um pouco sobre a história da PHF (Premier Hockey Federation), a principal competição de Hóquei no gelo feminina, por isso venham daí para se ficar a saber mais sobre a elite do hóquei feminino.


Primórdios do Hóquei Feminino

Foto: Reprodução da Internet

Desde o começo do jogo, em meados dos anos de 1800, algumas mulheres tentaram sempre quebrar barreiras e praticar a modalidade. Os primeiros registos remontam a 1880, quando o governador geral do Canadá e sua esposa organizavam festas em que o hóquei era a atração principal. A primeira partida documentada entre mulheres, remonta a 1889, num jogo que colocou frente a frente, as mulheres da casa do governador, incluindo funcionárias e sua filha.

O Hóquei feminino seguiu crescendo tal como o masculino. O virar do século foi trazendo equipes nas universidades, sempre com muita aceitação do público que foi, desde sempre, acorrendo para ver as partidas de cada uma das equipes.

Quando o esporte mais crescia veio os anos 40 e a Segunda Guerra Mundial, que levou os recursos e quase fez a NHL terminar. No feminino foi ainda pior, tendo atrasado o desenvolvimento da modalidade.

Enquanto a NHL cresceu e passou a ser televisionada logo depois da guerra, no feminino foi bem diferente, pois os esportes americanos, que eram praticados por mulheres, sofreram muito. No caso do hóquei, foi só nos anos 70 que o esporte voltou a crescer.

Foto: Reprodução da Internet

Os anos 80, trouxeram as primeiras ligas nacionais um pouco por todo o mundo, o crescimento era exponencial e já ninguém conseguia parar o hóquei feminino. Esse progresso mundial conduziu ao primeiro Campeonato da Europa, em 1989, que a Finlândia venceu e, apenas um ano depois, o primeiro Campeonato do Mundo seria vencido pelo Canadá.

1992 foi o ano onde o Comitê Olímpico Internacional colocou o hóquei feminino nos Jogos Olímpicos de Inverno e a primeira vez que se jogou no principal evento desportivo mundial foi logo em 1998. Os anos 90 estabeleceram em definitivo o hóquei feminino, surgiram as primeiras grandes ligas europeias e nos Estados Unidos foi dado início ao sistema que resultaria na NCAA Women’s Ice Hockey Championship, criada em 2001.

Para expandir o hóquei feminino pelo mundo, a IHHF (Internacional Ice Hockey Federation) promoveu várias iniciativas e eventos pelo mundo que resultaram em novas ligas e no aumento mundial de praticantes.

NWHL – O começo da Liga

Foto: Reprodução da Internet

Esse crescimento levou a que, em 2015, surgisse a NWHL (National Women’s Hockey League), com um orçamento estimado de 2.5 milhões, a primeira liga profissional de hóquei que pagava às atletas, que começou logo criando às bases para que esta grande liga pudesse crescer de forma espontânea, ajudando ainda mais o hóquei feminino a crescer pelos Estados Unidos da América.

A liga apostou nos mercados onde o hóquei dominava: New York City, Buffalo, e New England. Dessa forma, as primeiras equipes foram: Boston Pride, Buffalo Beauts, Connecticut Whale e ainda as Metropolitan Riveters. Este começo teve em Dani Rylan a principal referência.

Dani Rylan – O peso histórico do início

Foto: Reprodução da Internet

Dani Rylan, nasceu em Tampa Bay, em 5 de agosto de 1987. Cedo se encantou pelo hóquei, aos 5 anos iniciou-se junto dos seus irmãos e nunca mais deixou de jogar. Foi a única jogadora em Tampa Bay Jr. Nos primeiros anos jogou apenas com rapazes, só alguns anos mais tarde é que jogou pela primeira vez numa equipa feminina, quando foi recrutada por St. Mark, uma escola em Southborough.

Quando chegou a hora de jogar no “High School”, Dani teve de se mudar para mais de 2000 km’s de casa. Fez carreira em St.Mark, sonhava em chegar à elite, mas os convites eram apenas de escolas menos cotadas, e acabou por continuar. Fez carreira enquanto estudou na universidade comunitária, a Metro State in Denver que não tinha equipa feminina, mas nem isso impediu Rylan de continuar a jogar, tornou-se assim a primeira mulher a jogar na equipa masculina.

Com apenas mais dois anos para poder jogar na NCAA, ela foi em busca da sua oportunidade, convenceu o treinador das Huskies, equipa da 1ª divisão, a dar-lhe uma oportunidade que ela agarrou com tudo. No meio de jovens de 18, Dani Rylan, com 23 anos, conseguiu impor-se e ganhar um lugar. A carreira nunca chegou aos maiores palcos, mas continua a jogar até hoje — nem os anos como comissária a conseguiram afastar.

O sonho de Dani Rylan com o passar dos anos passou a ser o de conseguir que existisse uma liga profissional de hóquei. Depois de se formar e adentrar nos círculos de influência do mundo do hóquei, ela conseguiu atingir este sonho.

Em 2014 começaram os contatos, Dani Rylan colocou mãos à obra e falou com jogadoras, agentes, pesquisou em todo o tipo de mercados, falou com marcas em busca de possíveis patrocinadores, ganhou ainda mais confiança no mundo do hóquei e assim, em 2015, conseguiu criar a primeira liga profissional de hóquei.

Esteve até 2020 como comissária e, até 2021, como responsável por investidores e pelas operações da Liga. A astúcia de Rylan tornaram o sonho possível, acabou por sair pela porta pequena depois dos problemas com a PWHPA (Professional Women’s Hockey Players Association), mas a verdade é que tem o seu nome na história da Liga e do hóquei feminino.

As primeiras conquistas e as lutas da Liga

A NWL sempre foi uma voz ativa na luta por várias causas, em particular na luta contra o racismo e a transfobia, sendo que a Liga foi a primeira a deixar atletas transgêneros jogar, Harrison Browne foi o primeiro atleta transgênero a competir numa liga profissional nos Estados Unidos.  

2016 e 2017 trouxeram a aproximação com a NHL, foram dados os primeiros passos para possíveis parcerias. Além disso, a liga tentava sempre compensar as atletas, fosse na questão dos bilhetes de época fosse no merchandising, as atletas recebiam uma parte cada vez maior.

Depois disso e para confirmar o crescimento e a aproximação com a principal liga de hóquei, a equipa Metropolitan Riveters assinou uma parceria com os New Jersey Devils, a equipa da NHL que ajudava e criava mais condições para as jogadoras que assim passaram a ter mais patrocinadores, melhores condições de treino e, sobretudo, maior visibilidade em outros mercados.

Foto: Reprodução da Internet

Poucos meses depois, foram as Buffalo Beauts a serem adquiridas por uma equipa da NFL, desta vez pelos donos dos Buffalo Sabres. Neste caso não foi apenas uma parceria, foi mesmo uma aquisição. As Beauts tornaram-se assim a primeira equipa feminina a ser propriedade de um dono da NHL.

O ano de 2018 trouxe a expansão, com os problemas que ditaram o fim da WWHL (Western Women’s Hockey League) no Canadá, as Minnesota Whitecaps assinaram um acordo com os Minnesota Wild, da NHL, para cooperação e troca de conhecimentos. Dessa forma, as Whitecaps tornaram-se a segunda equipa da NWHL com operações privadas resultante desta parceria.

O ano de 2019 trouxe a NWHL Junior, novos programas para atrair as mais jovens e assim promover o futuro da liga. Depois disso vieram os investidores privados e antes de janeiro terminar, outra boa notícia quando foi anunciado: as Minnesosta Whitecaps estavam a dar lucro, tornando-se assim a primeira equipa da NWHL a ser rentável.

O ano continuou e os problemas nas ligas canadenses persistiram, a pressão e o crescimento da NWCH levaram a que a CWHL (Canadian Women’s Hockey League) acabasse e, com isso, a NWHL viu a possibilidade de nova expansão, recebendo algumas das equipas do país vizinho — e foi isso mesmo que aconteceu.

Para atrair as canadenses, a Liga procurou novos investidores, os salários subiram, as atletas passaram a receber mais sobre os acordos de imagem e do lucro da organização.

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Quando a Liga parecia imparável, os New Jersey Devils acabaram a parceria com as Riveters, mas nem isso abalou a competição. A época de 2019-20, que depois de alguns contratempos, trouxe o aumento de jogos: a Liga passou de 16 para 24 partidas. Também entraram mais investidores privados e, já em 2020, a tão esperada expansão para o Canadá foi anunciada.

Surgiram as Toronto Six, uma equipa que nascia das Toronto Furies, que havia competido na CWHL. Os dois anos seguintes foram complicados, Dani Rylan deixou de ser a comissária, a liga procurou novos modelos, alguns parceiros acabaram por não ajudar e isso levou a que o ano de 2021 fosse decisivo para o que podia ser o futuro da competição, da Liga e de todo o modelo.

Novo nome e adeus às incertezas

Foto: Reprodução da Internet

Os dois últimos anos vieram com mudanças muito importantes, os salários foram duplicados, depois disso surgiram mais investidores e mais equipes foram adquiridas, reduzindo assim o números de equipes pertencentes à liga, algo que até ao final de 2021 e depois de muito esforço, finalmente era conseguido. Era assim cumprido um dos maiores objetivos, que todas as equipes tivessem donos independentes e sem ligações à Liga.

O ano de 2021 já ia a caminhar para o fim, as mudanças e as novidades já haviam sido muitas, mas a maior ainda estava para vir. Em setembro, e depois de muito se pensar no modelo da liga, tudo mudou, a NWHL deu lugar à PHF, os dividendos passaram a ser ainda mais partilhados com as atletas, mais investidores surgiram e estavam lançadas as bases para o sucesso.

2022 trouxe novo aumento no Salary Cap, as equipas agora tinham cada uma delas uma soma de 750 mil dólares para gastar com os salários. Nova gerência, novas ideias, maior igualdade, a Liga passou a reconhecer em definitivo atletas transgêneros como jogadoras, acabando assim com qualquer preconceito e tornando-se assim a liga com as medidas mais inclusivas do desporto profissional.

Está nesta altura a ser analisada uma possível nova equipe no Canadá, mais concretamente em Montreal e ainda estão a ser testados mercados para novos conjuntos nos Estados Unidos, sendo que nesta altura existem seis equipas: Boston Pride, Buffalo Beauts, Connecticut Whale, Metropolitan Riveters, Minnesota Whitecaps e Toronto Six, mas em breve serão bem mais.

Por fim falar do maior investimento na Liga, os 25 milhões de dólares que implicaram um dos maiores investimentos numa liga profissional feminina.

Foto: Reprodução da Internet

Ficou aqui um pouco da história do hóquei feminino e da PHF, com a certeza que o futuro da maior liga de hóquei feminino é muito risonho e de que vamos ouvir falar cada vez mais da principal competição e ainda mais de hóquei no gelo feminino.


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