O relato doloroso sobre o percurso de Abel Ferreira no Sporting CP

Para esta semana um desafio diferente, venho falar sobre o percurso de Abel Ferreira no Sporting CP, falando como torcedor que viveu e sentiu na pele o que foi ter Abel como dono da lateral direita por várias temporadas, e depois como técnico em duas das equipes do Sporting, mas venham dai e fiquem a conhecer mais sobre o técnico do Palmeiras.


Pré-Sporting CP

No belo dia 22 de Dezembro de 1978, nascia aquele que viria a ser um dos maiores responsáveis pelo fim da seca do Palmeiras e por criar problemas cardíacos em muitos sportinguistas, falamos claro do dia em que Abel Ferreira nasceu na bonita cidade de Penafiel.

Abel Ferreira como a maioria dos jovens, cedo se interessou por futebol e sonhava em fazer carreira neste mundo. O seu percurso foi iniciado na base do FC Penafiel, clube onde jogou até chegar a Sénior. Abel Ferreira sempre foi um jogador regular, nunca a estrela ou o mais talentoso, mas sempre muito trabalhador e ainda cedo se assumiu como lateral direito, conquistando essa posição ainda em Penafiel.

Foi uma das peças mais importantes na equipa que foi revelação na Segunda Divisão Portuguesa em 1999/2000, e por conta disso, suas prestações valeram a mudança para Guimarães, assinando pelo Vitória SC um dos emblemas mais históricos do futebol português.

A verdade é que Abel Ferreira sempre foi teimoso e a sua carreira chegou a estar em risco, quando nos Juniores do Penafiel perdeu a titularidade e, por isso, decidiu abandonar o futebol, decisão que o levou a focar nos estudos, mas que durou pouco, pois logo regressou para assumir a titularidade e retomar o seu bom percurso. Na cidade berço de Portugal, Abel Ferreira esteve por 4 temporadas, conseguindo sempre mostrar a sua regularidade e capacidade de trabalho, no fim da sua quarta época veio a mudança polémica.

Abel Ferreira mudou para o maior rival do Vitória SC, o SC Braga, uma mudança que não foi bem-encarada do lado dos vimaranenses e que, até hoje, custa a Abel Ferreira insultos sempre que se aproxima de Guimarães. Em Braga, Abel Ferreira se assumiu como um dos melhores laterais direitos da Liga, ainda se afirmou mais no futebol português e acabou seduzindo Paulo Bento, que pediu a sua contratação para o Sporting CP.

Carreira em Lisboa, de jogador a treinador

Depois de ganhar o seu lugar de destaque, chegou ao Sporting em 2005-06 por empréstimo do SC Braga e demorou para ganhar a titularidade, isto porque Rogério era o dono da lateral direita e a segunda opção era Miguel Garcia nessa temporada, porém, Rogério acabou saindo em janeiro para o Fluminense e Garcia, além de lesões, perdeu o espaço.

Abel Ferreira chegou em janeiro de 2006 e estreou pelo Sporting CP logo na sua segunda convocação frente ao Belenenses no Estádio do Restelo. Foi utilizado em 16 jogos pelo Sporting, só não jogou em apenas dois jogos e só por três vezes não esteve em campo durante os 90 minutos.

Apenas meia temporada serviu para Abel Ferreira ganhar o seu lugar convencendo Paulo Bento de que era a melhor opção para o Sporting. 750 mil euros foi quanto o Sporting pagou por Abel Ferreira ao Braga, foi a única vez que um clube pagou pelo lateral direito que até ao fim de carreira não vestiu mais nenhuma outra camiseta, apenas o Sporting CP para o mal dos pecados dos sportinguistas.

Até 2010-11, Abel Ferreira foi jogador do Sporting, nunca exuberante, nunca o melhor jogador, sempre um lateral direito esforçado e que se destacou por defender muito bem, não atacava muito, não era o lateral que cavalgava pela ala, mas garantia segurança defensiva e liderança, algo que todos os técnicos que passaram pelo Sporting nesse período apreciavam muito, ao contrário de uma parte dos adeptos.

Foto: Reprodução da Internet

Teve como “concorrentes” na lateral direita, Miguel Garcia, Pedro Silva que chegou do Corinthians, depois surgiu Cedric Soares e depois João Pereira, também ele chegado do Braga e o responsável por Abel começar a perder o lugar na equipa. Mesmo assim seguia jogando e sendo uma opção para todos os técnicos do Sporting. Nem sempre o jogador mais apreciado em Alvalade rendia, mas teve no míssil que marcou ao Manchester United o melhor momento da sua carreira, um golo único em todo o seu percurso como jogador.

Abel Ferreira foi duas vezes internacional por Portugal pela mão de Luis Felipe Scolari e conquistou duas Supertaças e duas Taças de Portugal ao serviço do Sporting, nunca consensual, chegou a ser um dos capitães em Alvalade, mas a verdade é que durante o seu percurso sempre se desejou que o Sporting conseguisse alguém melhor para a posição.

No meio do caos e de todos os jogadores “não craques” que passaram pelo Sporting, Abel conseguiu passar e não ser o pior, conquistando pela forma como lutava mesmo não sendo o jogador mais talentoso. O final de carreira surgiu depois de uma grave lesão num treino em que Abel sofreu uma rotura dos ligamentos cruzados que o levou a ser operado e a terminar a sua carreira, mais cedo do que queria, mas que apressou o seu começo como treinador.

Mister Abel Ferreira – O professor bicampeão

Com o final de carreira a acontecer de forma inesperada, Abel Ferreira depois de se recuperar ficou um tempo sem saber o que fazer, daí surgiu a possibilidade de assumir o comando da equipe de sub-19 do Sporting CP, isto porque numa altura complicada, Ricardo Sá Pinto subiu para a equipe principal e Abel ficou no comando da equipa de juniores. Depois de seis temporadas como jogador, Abel Ferreira ficou mais três como treinador.

Foto: Reprodução da Internet

Conquistou logo em 2011 o titulo de juniores, tendo sido o melhor começo para o jovem treinador que, da base, passou para a equipe B, onde as coisas se complicaram depois de alguns problemas e incompatibilidades com jogadores e direção do Sporting CP.

O futebol não impressionava, o percurso como treinador no Sporting não ficou marcado pelo bom futebol, na verdade para a maioria dos adeptos o futebol praticado ficou sempre aquém do que se esperava de uma equipa que tinha vários grandes talentos como João Mário, atual jogador do SL Benfica, ou Ruben Semedo, zagueiro do FC Porto.

A sua carreira prosseguiu na época seguinte como técnico da equipe B do SC Braga, um regresso a casa e que acabou sendo o melhor recomeço como treinador. Foram 5 temporadas em Braga, 2 épocas e meia na equipe B e o restante na equipe principal. Depois seguiu-se o PAOK da Grécia até chegar a oportunidade de treinar o Palmeiras.

Foto: Reprodução da Internet

Por esta semana é tudo, ficou aqui um relato de quem viveu por muito tempo com Abel Ferreira como lateral direito da sua equipe e depois ainda como técnico dos mais jovens, não foi fácil para ninguém, mas acabou criando o técnico que deu as mais recentes alegrias palmeirenses.


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