Entenda tudo sobre a “briga” entre Vasco e Consórcio Maracanã

No domingo, o Vasco da Gama encara a Chapecoense, às 16h (horário de Brasília), pela vigésima segunda rodada da Série B. Nesse jogo, o Cruzmaltino pretende fazer a reestreia de Alex Teixeira, atacante revelado no clube que retorna depois de 12 anos distante.

Devido ao bom horário e pela alta procura natural, o Vasco tentou enviar a partida para o Maracanã, tentativa que foi novamente negada pelo consórcio, assim como ocorreu no duelo diante do Sport. Contudo, este é apenas o capítulo mais recente da “briga” entre o clube e o Consórcio Maracanã.

Vasco x Cruzeiro – O primeiro capítulo

Foto: DanIel Ramalho/Vasco

O Vasco, até então vice-líder, vinha de uma boa sequência no campeonato e iria enfrentar o Cruzeiro, líder da Série B no dia 12 de junho. Domingo, quatro horas da tarde, a promessa de um grande jogo e a alta procura por ingressos acenderam no Vasco o interesse de enviar o confronto para um estádio maior que São Januário, cuja capacidade total gira em torno dos 21.000 espectadores. E assim foi feito.

Em campo, o clube carioca derrotou o Cruzeiro por 1 a 0 com gol do atacante Getúlio. 63.609 pessoas viram a vitória da equipe, que se aproximou ainda mais do líder da tabela e diminuiu a distância para apenas dois pontos. Mas se engana quem pensa que tudo ao redor de Vasco e Cruzeiro foram “mil maravilhas”.

Respeito, igualdade e inclusão?

Foto: DanIel Ramalho/Vasco

O acordo para a realização da partida no Maracanã foi bastante questionado pela diretoria. Um dos motivos para isso foi o valor do aluguel. Anteriormente, o preço do aluguel do Maracanã, para uma partida, girava em torno dos 90 mil reais e, para o jogo contra o Cruzeiro, o Vasco pagou 250 mil reais ao consórcio.

Isso, somado a falta de participação no lucro dos bares do estádio, afetou o lucro cruzmaltino que foi de aproximadamente 650 mil reais. Mesmo assim, o clube lucrou três vezes mais do que em partidas com ingressos esgotados em São Januário.

Além da toda a problemática ao redor da parte financeira, foi também vetada uma faixa que o clube queria expor nas arquibancadas. A faixa em questão exibiria os dizeres “Desde 1898, o Legitimo Clube do Povo – Respeito, Igualdade e Inclusão”.

Ela estaria projetada para ficar na parte que separa o setor leste do campo, onde Flamengo e Fluminense costumam exibir mensagens quando mandam seus jogos no estádio. O pedido, porém, foi negado, o que estressou a diretoria cruzmaltina, que alegou falta de motivos para o veto.

Como alternativa para isso, os dizeres foram exibidos durante o jogo por meio da placa de publicidade eletrônica da Pixbet, patrocinadora master do clube carioca.

Vasco x Sport – O segundo capítulo

Foto: Daniel Ramalho/Vasco

Mesmo com todos os problemas ao redor da realização de Vasco e Cruzeiro no Maracanã, o clube carioca teve interesse em enviar o confronto contra o Sport para o “Maior do Mundo”. O bom horário, a alta procura e o significante lucro surgiram como os principais interesses do Cruzmaltino. Desta vez, no entanto, o pedido foi negado.

A administradora alegou a alta carga de jogos no estádio em julho que poderiam variar entre 8 e 10, dependendo do desempenho da dupla Fla-Flu na Copa do Brasil. Essa grande quantidade de partidas foi considerada prejudicial para o estado do gramado.

Outro motivo mencionado foi o intervalo de menos de 24 horas que existiria, considerando a realização de Fluminense e Corinthians no sábado, dia 2. O Vasco contestou, alegando falta de programação para o dia em questão, e destacou que a carga de jogos chegaria a 9 jogos no máximo, considerando a queda da equipe tricolor nas competições internacionais.

Por uma liminar, o Vasco conseguiu enviar a partida para o Maracanã. Em campo, todavia, não teve um bom desempenho, ficando no 0 a 0 com a equipe pernambucana. No final, devido a aplicação da grama de inverno, o estádio só recebeu 6 jogos até o momento, fechando em 7 quando o Flamengo enfrentar o Atlético-GO no sábado (30).

Ao todo, serão quatro jogos do Flamengo (7×1 Tolima, 2X0 – Atlético-MG, 0x0 – Athletico-PR e o jogo contra o Atlético-GO), dois do Fluminense (4×0 – Corinthians e 2×1 – Ceará) e um do Vasco (0x0 – Sport). No período de mudança de gramado, Flamengo e Fluminense sediaram seus jogos como mandante no Mané Garrincha e no Raulino de Oliveira, respectivamente.

Vasco x Chapecoense e as expectativas para o futuro

Foto: Daniel Ramalho/Vasco

Os 7 jogos que serão realizados no Maracanã poderiam ser 8, se a partida entre Vasco e Chapecoense fosse realizada no estádio. Como citado anteriormente, o bom horário, a alta procura e a possível estreia de Alex Teixeira despertaram o interesse cruzmaltino.

Novamente, o pedido foi negado, mas dessa vez, alegando a proximidade com outra partida, sendo mantido em São Januário. A partida ocorre neste domingo, dia 31 e já teve os ingressos esgotados em menos de 24 horas, antes mesmo da liberação da venda para o público geral.

Embora esse último capítulo da briga entre Vasco x Consórcio tenha sido mais “calmo”, podemos esperar um futuro mais “quente”. Na mesma nota que repudiava o veto do consórcio e confirmava o jogo em São Januário, o Cruzmaltino ameaçou tomar “medidas cabíveis” sobre toda a situação.

Outra fator que afeta ainda mais essa história é a liberação do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro para a realização de partidas do clube no Maracanã, em dias que não possuam partidas programadas. Além disso, há também o projeto de construção de um estádio para o Flamengo, que naturalmente diminuiria o interesse rubro-negro na participação do estádio público.

O Maracanã publicou o edital de licitação do estádio nesta última quinta-feira, em um documento que mantém a obrigação da realização de, no mínimo, 70 jogos por ano no estádio e que possui termos polêmicos, como a permissão de uso, que libera sua utilização por outros clubes, além da disponibilizar benefícios para o Governo do Estado, em todas as partidas.

Com a possível reforma de São Januário à caminho, o Vasco deve utilizar com frequência o Maracanã nos próximos anos. Resta saber o que o futuro tratá nesta conturbada relação entre Vasco, a dupla Fla-Flu e o Consórcio Maracanã.


Este texto faz parte da coluna mensal do projeto Meros Boleiros. Para ler mais textos do MB, clique aqui para conferir textos especiais sobre futebol e basquete.

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