À medida que a poeira baixa sobre a histórica vitória dos Socceroos sobre Turkiye, as atenções agora se voltam para os EUA em Seattle, com entre 10 e 15.000 torcedores australianos esperados no Seattle Stadium para o tão aguardado confronto.
O ritmo de trabalho coletivo e a disciplina defensiva demonstrados pelos Socceroos contra o Turkiye precisarão ser replicados contra uma seleção dos EUA que estará em alta após a goleada de 4 a 1 sobre o Paraguai no jogo de abertura.
Os Socceroos com seus torcedores após vencer a Turquia por 2 a 0.
A histeria mediática que se seguiu à primeira vitória dos EUA faz com que acreditemos que eles continuarão e se tornarão campeões mundiais, com o médio Sebastian Berhalter a destacar a mentalidade inabalável do grupo dos EUA sob o comando de Mauricio Pochettino.
“Acho que uma delas é que somos americanos. Não aceitamos merda nenhuma”, disse Berhalter.
As zombarias fora de campo do analista americano Mike Grella continuaram com o ex-atacante da MLS alegando que Tony Popovic e sua equipe “não têm chance” quando se trata de competir com os EUA.
“A única forma de jogarem é na defesa e tentarem manter o 0-0”, afirmou Grella.
Esses comentários, porém, de acordo com Andy Harper, analista e comentarista de futebol da Network 10 e Paramount +, apenas adicionaram tempero e intriga extra ao próximo concurso.
“O jogo foi muito bem organizado com a vitória dos Socceroos sobre Turkiye, bem como com todo o lixo falando em torno dos Socceroos”, disse Harper ao Nine.com.au.
Mas falar é fácil, como Turkiye e Hakan Calhanoglu descobriram. A seleção norte-americana também faz questão de se distanciar de quaisquer comentários feitos pela mídia sobre os Socceroos, com o meio-campista norte-americano Tyler Adams descartando a ideia de que os Socceroos seriam “uma bandeja”.
“Não, não é uma bandeja, será um dos jogos mais difíceis que jogaremos”, disse Adams.
Para que os Socceroos tenham sucesso contra os EUA, Harper acredita que o time precisa ser melhor com a bola.
“Vimos o modelo dos Socceroos contra o Turkiye, muito compacto e jogando muito futebol no contra-ataque, mas precisamos ser melhores com o futebol quando temos a posse de bola”, explicou Harper.
Paul Okon-Engstler e Aiden O’Neill foram excelentes no meio-campo contra o Turkiye e ambos terão de estar no seu melhor desempenho contra os EUA.
A corrida altruísta e a consciência de O’Neill em ajudar a proteger os quatro defensores serão fundamentais para limitar o impacto de Weston McKennie e sua habilidade de flutuar entre as linhas, enquanto o passe para frente de Okon-Engstler será novamente vital para vincular o jogo e envolver as habilidades dinâmicas de Nestory Irankunda.
O Paraguai aparentemente foi pego de surpresa pela intensidade e ritmo de uma seleção dos EUA que os dominou completamente. Popovic terá os Socceroos prontos para o ataque, além de estar ciente da qualidade que a seleção norte-americana possui se tiver tempo e espaço.
Este é liderado pelo ‘Capitão América’ e pelo ala do AC Milan, Christian Pulisic, que ainda está em dúvida devido a uma lesão na panturrilha esquerda, mas voltou ao seu melhor no primeiro tempo contra o Paraguai.

Christian Pulisic é a maior estrela dos EUA.
Os dribles diretos de Pulisic causaram inúmeras dores de cabeça à defesa paraguaia, com o atacante Folarin Balogun se alimentando de seu lançamento, enquanto Sergino Dest procurava avançar para apoiar na ala oposta.
Defensivamente, Balogun proporcionará a jogadores como Harry Souttar e Alessandro Circati uma ameaça diferente e mais física do que a oferecida contra Turkiye.
Esta, acredita Harper, será mais uma batalha crucial na decisão do possível resultado da partida, com os defensores do Socceroos precisando estar preparados.
“Se Balogun jogar, será uma proposta completamente diferente para a defesa do Socceroos”, acrescentou Harper.
Jacob Italiano e Jordan Bos foram excelentes tanto defensivamente quanto no ataque contra Turkiye, mas serão testados contra uma linha avançada móvel dos EUA.
Jogadores como Dest e Pulisic tentarão explorar o espaço deixado por Italiano e Bos ao avançar, com os Socceroos precisando estar conscientes espacialmente dentro e fora da posse de bola para limitar esta ameaça.
Os Socceroos desafiaram as probabilidades uma vez e Popovic acreditará que podem fazê-lo novamente no que promete ser um dos jogos mais destacados da fase de grupos da Copa do Mundo. A rivalidade ganha vida às 5h (AEST) de sábado.

O técnico do Socceroos, Tony Popovic, é obcecado pelos detalhes.