Rookies: Quando a pressão ultrapassa o limite da toxicidade na NBA

Todos sabemos como a mídia e as redes sociais são importantes hoje em dia. Elas são muito úteis para estabelecer marcas, alavancar carreiras, influenciar várias esferas da sociedade, entre outros aspectos. No entanto, a mídia também pode ser cruel na mesma proporção.

No mundo dos esportes, você pode ir do céu ao inferno em questão de minutos. Seja por um game winner no basquete, por uma hail mary no futebol americano, por um pneu furado na última volta de uma corrida ou por qualquer outra coisa. Esses eventos podem marcar o resto da carreira de algum atleta, seja positivamente ou negativamente.

E na NBA não é diferente. Os maiores jogadores possuem aqueles que sempre vão lembrar de seus momentos ruins e que estão sempre digitando algo para tentar chamar a atenção de alguma forma. Nem todo jogador chega na NBA tendo um impacto instantâneo, como LeBron James. Muitos demoram para embalar e pegar o ritmo da liga, e muitos jogadores talentosos sofrem bastante para se adaptar à liga.

E hoje, iremos falar sobre como a mídia e as redes sociais podem não só minar como acabar com a carreira de jovens promissores. Trarei exemplos de Jordan Poole e de James Wiseman — jogadores do meu time, o Golden State Warriors — para mostrar o impacto dessas críticas em atletas de alto nível. Boa leitura!


Jordan Poole – The Splash Nephew?

O apelido Splash Nephew (Sobrinho Splash, em português) se deu por conta de seu bom arremesso. A polêmica já começou desde o Draft, pois muitos diziam que os Warriors deveriam ter escolhido Kevin Porter Jr, opção que o time recusou por seus problemas fora de quadra.

Ele era um clássico Shooting Guard no College que tinha o potencial de ajudar o time de San Francisco vindo do banco. Entretanto, faltava um pouco de disciplina na escolha de arremessos, uma defesa melhor, maior massa muscular e outras coisas normais para um novato de escolha tardia.

Tudo muda quando no quinto jogo da temporada de 2020, Stephen Curry quebra a mão e fica de fora de grande parte dos jogos. Jordan Poole teve que assumir o time que na época não também não tinha D’Angelo Russell, que também perdeu jogos por lesão, Klay Thompson, fora da temporada por grave lesão, e Draymond Green, em má forma física.

O novato, que era esperado que jogasse de 10 a 15 minutos por jogo, teve que jogar 30 minutos por jogo, e dessa forma, seus erros — comuns para um novato — foram muito mais expostos. Somando isso com a adaptação ao seu novo corpo, que ganhara cada vez mais massa muscular, Poole teve um primeiro ano extremamente inconsistente na liga, o que seria absolutamente aceitável.

(Photo by Daniel Shirey/Getty Images)

Jordan Poole sempre foi conhecido por ser bastante extrovertido, confiante no seu arremesso, vocal com o time e bastante ativo nas redes sociais, principalmente no Instagram. No entanto, após alguns jogos ruins, as críticas foram bem mais pesadas que deveriam. Isso claramente impactou seu jogo, pois o medo de errar o fazia hesitar em arremessar.

Ele chegou a postar no Instagram uma foto com Jaren Jackson Jr, com a seguinte legenda: “vocês ‘críticos’ esquecem que um filme demora anos para ser feito… Aguardem que vocês verão, eu prometo!

Foto: Reprodução da Internet

Uma vez, o técnico dos Warriors, Steve Kerr, defendeu o jovem em relação às críticas: “A liga é implacável com os jovens. Ele precisa continuar a fazer o que sabe e ganhar experiência. Ele vai melhorar, temos fé nele devido a sua habilidade e seu caráter. Mas é um período difícil”

Os jogos seguintes foram só ladeira abaixo. Em dezembro de 2019, ele zerou os 4 primeiros jogos, e depois não fez mais que 5 pontos nas partidas seguintes. Em uma live no Instagram, perguntei o porquê dele não ter Twitter, e ele respondeu: “Twitter é a rede social mais tóxica, tô fora mano”.

Após essa sequência ruim, ele arquivou todas as fotos do Instagram, deixando apenas o post mencionado acima, e em seguida foi enviado para a G-League, onde jogaria pelo Santa Cruz Warriors. Lá, ele recuperaria seu basquete e teria uma média de 26 pontos por jogo, voltando para o time revigorado e com a confiança em dia.

Na temporada atual, ele teve poucos minutos no começo dos jogos, pois Steve Kerr estava testando Brad Wanamaker na rotação e, por isso, ele voltou a jogar na G-League, onde realizou 11 partidas e teve uma média de 22.4 pontos por jogo. Assim, o treinador chamou Jordan de volta à equipe principal, se tornando um dos destaques da equipe vindo do banco de reservas. Atualmente, ele não possui mais redes sociais.


James Wiseman – Bust ou cru?

A maior polêmica do momento em relação a novatos é com o pivô do Golden State, James Wiseman. Os Warriors optaram por recrutar o pivô na segunda escolha do último Draft por conta da falta de pivôs da equipe, que só tinha Marquese Chriss, fora da temporada por conta de uma lesão na fíbula, e Kevon Looney, que também sofre frequentemente com lesões.

As críticas vêm pelo fato do Golden State Warriors ter passado Lamelo Ball, que aparenta ser o melhor jogador da classe até aqui, e por conta do Wiseman ainda ser despreparado para atuar em alto nível na NBA, o que se justifica pela falta de jogos pela universidade, que é o último passo da maioria dos grandes prospectos antes de entrarem na liga.

James Wiseman jogou apenas 3 jogos no College após uma polêmica entre a NCAA e o jogador. A NCAA o impediu de jogar por Memphis, pois o técnico ajudou James e sua família a se mudarem para lá em 2017. Isso foi considerado como tampering, quando um terceiro influencia diretamente na ida de um jogador para alguma equipe. E dessa forma, James se preparou sozinho para a NBA.

Isso claramente afetou sua curva de desenvolvimento e o fez chegar muito cru à NBA, além do fato de que Bigs (Pivôs ou Ala-Pivôs) enfrentam mais problemas que Guards para se adaptarem à liga. As defesas são mais físicas e complexas, e a maioria dos atletas que chegam com o corpo despreparado para lidar com outros Bigs mais fortes no garrafão possuem sérios problemas no início.

Tudo isso somado à raiva da torcida pelos Warriors terem passado o Lamelo faz com que o jogador tenha sofrido bastante fora de quadra por conta das críticas. Elas são ainda mais pesadas que as que Jordan Poole sofreu por conta da necessidade de vencer mais jogos nessa temporada e pela alta posição que o pivô foi recrutado.

Assim, os efeitos no seu jogo tem sido notórios, pois apesar de ter seus flashes de potencial, ele não tem arremessado tanto quanto no começo da temporada. Ele visivelmente tem hesitado nos arremessos e não tem mais a mesma confiança no seu jumpshot, que era um dos principais pontos do seu arsenal ofensivo. Também é perceptível em sua expressão facial a frustração a cada erro cometido.

Foto: Reprodução da Internet

Steve Kerr falou um pouco sobre o desenvolvimento de James: “É tudo sobre o desenvolvimento compreensivo de um jovem que é totalmente novo com liga e tudo o que nós pudermos fazer para que ele possa alcançar um nível acima do seu talento o mais rápido possível, nós faremos. Porém, também temos consciência de que não existe uma varinha mágica. Existe muito trabalho envolvido e nós vamos trabalhar com ele e ajudá-lo a crescer. É um processo interessante”.

Existe um ditado que diz que na pressão se faz um diamante, porém tudo em excesso é prejudicial, até mesmo água. Então resta à torcida esperar e entender que todo jogador tem seu tempo e processo. A comissão técnica acredita no jogador e, assim como Poole fez, ele tem potencial para corresponder e melhorar muito na sua segunda temporada. E sabemos que, com James Wiseman bem e com Klay Thompson saudável, há grandes chances do time brigar por colocações mais altas no ano que vem.

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