Drazen Petrovic, o Mozart de Sibenik

Drazen Petrovic, um dos melhores de sempre no basquete. É dele que vamos falar hoje, alguém que teve a vida ceifada demasiadamente cedo quando estava chegando no auge. Mas venha conosco e conheça mais a respeito do “Mozart de Sibenik”.

Carreira na Europa e pré-NBA

O génio do basquetebol nasceu no dia 22 de junho de 1964, na bonita cidade de Sibenik. Drazen Petrovic começou cedo no basquete e logo se mostrou um jogador diferenciado. Aos 13 anos já era um dos nomes em maior destaque no KK Sibenka, aos 15 anos já era uma peça importante na primeira equipe do seu time mostrando um talento invulgar para o basquete.

Também aos 15 anos chegou à sua primeira final, o Sibenka acabou por perder, mas todo o mundo estava maravilhado com o pequeno Mozart. Depois disso, seguiu-se um ano no serviço militar, e assim que terminou, o jovem Petrovic tinha muitos pretendentes. Optou por se transferir para o KK Cibona, para jogar ao lado do seu irmão.

Terceiro da final da Liga Jugoslava em 1983

No novo time, o génio se assumiu como a grande estrela da equipe levando o Cibona a dois títulos seguidos em 1985 e 1986 na Euroliga, no primeiro vencendo na final o Real Madrid e no segundo derrotando o Zalgiris do mítico Arvydas Savonis na final, um feito incrível e que colocava Petrovic num patamar muito elevado no basquete europeu.

Em 1985 está aquele que foi o seu melhor jogo, e provavelmente, a melhor performance individual de sempre de um jogador de basquete, quando Drazen Petrovic numa eliminatória contra os eslovenos do KK Union, conseguiu 112 pontos. Foram 40 arremessos acertados num total de 60 tentados, algo absolutamente incrível.

A verdade é que o pequeno Mozart teve muitas exibições de luxo, entre elas os 51 pontos frente ao Limoges e 45 pontos e 25 assistências num duelo com o Olimpia Milano, na Euroliga de 1986.

Foram inúmeras exibições deste nível no Cibona, seu “normal” eram jogos de 40, 50 ou 60 pontos. Com isso, em 4 temporadas conseguiu 37.7 pontos de média, sendo o Jogador do Ano na Jugoslávia em todas as temporadas.

Petrovic era um dos maiores nomes do basquete mundial, e perante estas exibições, a NBA não passou despercebida. Seu recrutamento foi em 1986 pelos Portland Trail Blazers, sendo a escolha 60 naquele Draft. Porém, o prodígio continuou na Europa, atuando até 1989 no Real Madrid.

Contudo, a ida de Petrovic para o Real Madrid esteve envolvida em polémica, uma vez que os jogadores jugoslavos com menos de 28 anos não podiam assinar por equipes estrangeiras. Mas a pressão em torno de Petrovic levou a que essa norma fosse alterada, e assim, Petrovic acabou rumando a Madrid onde fez parte de uma das melhores equipes de sempre no basquete europeu.

Na Espanha, conquistou uma Taça das Taças em 1989 anotando 63 pontos na final. Mesmo não tendo estado muito tempo em Madrid, Petrovic se converteu num mito e em um dos melhores de sempre do Real, conquistando ainda uma Taça do Rei e conseguindo recordes que até hoje não foram batidos, como os 42 pontos num jogo da Liga Espanhola e ainda as 8 bolas de 3 pontos num único duelo.

Chegada e carreira na NBA

Portland acabou pagando ao Real Madrid, e Petrovic chegava como um arremessador de excelência. Entretanto, a primeira temporada não foi a melhor para o prodígio jugoslavo, uma vez que a equipa já tinha a rotação completa com Clyde Dexter, Terry Porter e Danny Young, e com isso, Drazen acabou somando pouco tempo de jogo. Na temporada seguinte chegou Danny Ainge e a sua utilização caiu ainda mais.

Drazen Petrovic pediu para sair, e em 1991, conseguiu ser trocado para os New Jersey Nets, uma equipe que precisava de uma grande referência uma vez que não chegavam nos Playoffs há algum tempo. Nos Nets, se assumiu como o líder e a grande estrela que o time precisava, conseguindo ainda se tornar num dos melhores da NBA.

Estranhamente, em 1993, acaba por ficar fora dos escolhidos para o All-Star, mesmo sendo um dos 13 melhores na temporada. Apesar da curta passagem nos Nets, seu impacto foi tanto que até hoje continua a ser um dos melhores de sempre, como ocorreu nos lugares por onde passou.

Drazen Petrovic mudou para sempre o basquete mundial, se tornou um dos primeiros europeus a conquistar o coração dos adeptos na NBA, e com isso, se converteu num dos craques que abriram as portas para que, nos dias de hoje, a NBA seja dominada por muitos jogadores do Velho Continente.

Carreira nas seleções

Na seleção, na antiga Jugoslávia e depois na Croácia, Drazen Petrovic também assumiu o papel de uma das grandes estrelas.

A sua estreia foi com apenas 15 anos, no Campeonato dos Balcãs Sub-18, rapidamente chegou à seleção principal aos 19 anos, quando foi escolhido para ajudar a sua seleção nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em que conquistou a medalha de bronze.

No ano seguinte, em 1986, conseguiu mais um bronze, desta vez no Campeonato do Mundo. No ano seguinte um novo bronze, desta vez no EuroBasket, e nesse mesmo ano os Campeonatos Universitários foram realizados em “casa”, e Petrovic conseguiu o seu primeiro ouro em Zagreb.

O ano de 1988 trouxe uma nova edição dos Jogos Olímpicos, com a seleção Jugoslava a apostar tudo pelo ouro. A prestação foi soberba e conseguiram chegar até a decisão, mas o adversário era a União Soviética, que levou a melhor conseguindo a tão desejada medalha de ouro.

A verdade é que o crescimento da seleção jugoslava era notório, e isso culminou em duas conquistas: o Europeu derrotando a Grécia, em 1989, e o Mundial, em 1990, vencendo os Soviéticos e conseguindo assim a vingança dos Jogos.  

Esta conquista de 1990 marcou um dos momentos mais históricos de sempre, uma vez que a Jugoslávia estava em ebulição, na comemoração um torcedor entrou na quadra com a bandeira croata, Vlade Divac um nacionalista e defensor da Jugolávia, não gostou e entrou em conflitos com o torcedor e alguns colegas.

Isso levou ao triste fim da amizade entre Petrovic e Divac. Em seguida veio a independência da Croácia, um conflito entre povos que deixou marcas em milhões e que duram até hoje.

Já como Croata, Drazen Petrovic voltou aos Jogos Olímpicos em busca do ouro, mais uma campanha histórica, mas com uma nova derrota, desta vez frente à Dream Team dos Estados Unidos na final.

A trágica morte do prodígio

1993 marca o ano da morte de Drazen Petrovic. No dia 7 de Junho de 1993, a estrela do basquete mundial acaba por falecer num acidente de automobilístico. Depois da concentração da seleção croata em Berlim, Petrovic decidiu fazer a viagem de carro, ao invés viajar de avião.

Drazen aproveitou a longa viagem para descansar, deixando o volante para a sua namorada, a modelo húngara Klara Szalantzy e uma amiga, a jogadora de basquete turca Hilal Edebal. Depois de algum tempo de viagem, e já na região da Baviera, uma zona com pouca visibilidade, tudo aconteceu. Petrovic viajava sem cinto de segurança, e por isso acabou por não resistir ao acidente.

Drazen Petrovic “desaparecia” assim depois da sua melhor época na NBA. O mundo do basquete ficou mais pobre e nunca chegámos a ver o melhor do Mozart do basquete, que faleceu antes do seu auge.

Como homenagem, os Nets aposentaram a sua camisa 3, o estádio do Cibona passou a ter o seu nome, Zagreb dedicou uma praça a Petrovic e mais tarde o prêmio do Comité Olímpico Croata para os jovens atletas também passou a ser designado de Drazen Petrovic. Também se tornou apenas o segundo atleta a ter uma estatua erguida em Lausanne, no museu Olímpico e ainda entrou no Hall da Fama da FIBA.


Morreu demasiado cedo, mas deixou um legado que perdurará para sempre. Drazen Petrovic foi um dos melhores de sempre e foi sobre o Mozart do basquete que falámos hoje.

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